Via Sacra da Rocinha expõe violências vividas na favela

Relato do diretor artístico da Via Sacra da Rocinha, Robson Melo, sobre a realização da 26ª edição do espetáculo.

Homenagem às recentes vítimas da violência na Rocinha e à vereadora Marielle Franco / fotos: Flávio Carvalho

Na sexta feira santa, o espetáculo Via Sacra da Rocinha foi visto por cerca de 4 mil pessoas. Mesmo com o clima da favela ruim, por conta dos últimos episódios de violência, a comunidade foi para a rua prestigiar a encenação que tem quase três décadas de tradição. Foi a 26 edição.

Ano passado, no aniversário de 25 anos, a ideia era homenagear a própria história da Rocinha, com uma via Sacra nordestina. Mas a falta de recursos nos fez adiar os planos para este ano. E aí veio a guerra entre facções. Dias de intensos confrontos, e de inúmeras e diárias incursões policiais. A favela virou notícia. Muitas mortes e feridos pelas balas e pelo sofrimento. Mudamos novamente o nosso foco. Resolvemos então falar da violência/sofrimento e escancaramos todas as mazelas existentes no local.

Recado ao prefeito / foto: Flávio Carvalho

Na favela morremos de tiro, também por falta de serviços públicos de qualidade. Falta água há décadas, as clínicas da família em greve, o saneamento nunca feito e claro a violência do estado contra o favelado.

Foi duro, mas foi necessário!!! Aproximamos a peça da realidade e o resultado foi incrível. Fomos bem compreendidos e aceitos. Falamos de nossas dores. Mostramos que somos mortos e violentados pelo poder público há anos. Mostramos que a favela é parte integrante da cidade e que merece respeito, dignidade e paz. 

Ano que vem a gente espera trabalhar o tema escolhido em 2017, todavia se não for possível, estaremos na rua para reivindicar os nossos direitos. Ninguém calará a favela

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26ª edição da Via Sacra da Rocinha: a crucificação social do favelado 

Via Sacra da Rocinha: a crucificação social do Favelado / Foto: Ricardo Sousa

Responsável por promover o maior espetáculo teatral a céu aberto da cidade do Rio de Janeiro, a Cia de Teatro Roça CaçaCultura anuncia a realização da 26ª edição da Via Sacra da Rocinha, que acontecerá no dia 30 de março – com início previsto para às 20 horas no Largo do Boiadeiro, localizado na parte baixa da Rocinha.

Protagonizada pelos moradores da comunidade – que integram produção, elenco, direção artística e executiva – a Via Sacra é um espetáculo que anualmente toma as ruas da Rocinha como cenário, para contextualizar a paixão e morte de Jesus Cristo com temas que refletem, principalmente, os casos de crucificação social que acontecem em nossa sociedade. Continue lendo

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Matriarca do Jongo da Serrinha mostra toda sua vitalidade no Rock in Rio

Com 96 anos, ela não se cansa de dançar e ensinar as crianças da Casa do Jongo, que sem patrocínio, busca apoio em campanha pela Benfeitoria

Um lugar diferente, talvez o maior em que ela já tenha se apresentado. Um público totalmente diversificado, nada parecido com o seu dia a dia, em Madureira. Contudo, parece que nada faz a senhora Maria de Lourdes Mendes, mais conhecida como Tia Maria, tremer nas bases. Convidada do palco Sunset, em homenagem aos 100 anos do samba, no Rock in Rio 2017, ela dançou, cantarolou e encantou a plateia ali presente e também os que assistiram por outras redes. Com brilho nos olhos, Tia Maria mostrou toda a vitalidade, na maioria das vezes atípica para uma senhora quase centenária.

A emoção era visível e foi o ponto alto da apresentação do Jongo da Serrinha, liderado por sua matriarca. “Estou realizada em me apresentar para mais de 50 mil pessoas. Isso nunca passou pela minha cabeça, nem mesmo em sonho. Ainda bem que a velha aqui está com os exames todos em dia, porque subir naquele palco, mostrar a minha dança, a minha raiz e ver um mar de gente se emocionando e dançando o Jongo me arrepiou dos pés à cabeça e trouxe à tona toda minha energia”, conta uma sorridente Tia Maria.

O Jongo da Serrinha é uma organização social com cerca de 60 anos, criada no bairro de Madureira, zona norte do Rio, que promove ações integradas entre cultura, arte, saúde, memória, desenvolvimento social, trabalho e renda. Há 17 anos é uma associação sem fins lucrativos e vem atuando em parceria com o poder público, privado e instituições internacionais para o desenvolvimento social de populações afro-brasileiras. Nessas seis décadas de trabalho continuado, o Jongo da Serrinha virou uma referência da cultura afro-carioca no país.

Porém, neste último ano, a organização está sem patrocínio e vem buscando alternativas para que o trabalho que envolve atendimento a 400 crianças e jovens não pare. Com a participação no Rock in Rio, além do público presente, milhões de pessoas que assistiam pela televisão e internet puderam conhecer um pouco dessa dança que traz muita ancestralidade de suas matrizes africanas. A diretora artística da Casa do Jongo, Lazir Sinval, espera que toda essa repercussão se reverta também em patrocinadores e colaboradores, para os projetos sociais que a ONG realiza.

“O nosso intuito foi levar para esse público não tão comum a nós, um pouco da nossa história enquanto dança e cultura. Quem sabe não conseguiremos mais alguns “sócio-torcedores” do nosso projeto, colaborando com a nossa Benfeitoria. Esperamos que toda essa aparição também traga os recursos tão necessários para mantermos a Casa do Jongo e seu projetos sociais vivos”, finaliza.

Para conhecer o projeto Jongo da Serrinha e participar da campanha é só entrar no site https://benfeitoria.com/casadojongo.  Com contribuições que variam de R$20,00 a R$100,00 é possível se tornar assinante e ajudar este Centro de Memória permanente e as crianças por ele assistidas.

Serviço:  GRUPO CULTURAL JONGO DA SERRINHA

Endereço: Casa do Jongo, Rua Compositor Silas de Oliveira Madureira, RJ  21360-360  Brasil ‎

Contatos:  21 99191-3123 /  jongodaserrinha.org  /  [email protected]

Assessoria de Imprensa: DJL Comunicação 98222-0085 /98001-9296/ 96458-8774

* Texto produzido pelo DJL Comunicação.

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Disputa pelo poder coloca Rocinha em guerra

Disputa pelo poder coloca Rocinha em guerra / Fonte: internet

Disputa pelo poder coloca Rocinha em guerra / Fonte: internet

Ainda não eram 7 horas quando tiros e explosões acordaram os moradores da Rocinha na manhã deste domingo (17/09), numa disputa pelo controle da favela entre os traficantes Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, e Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, também conhecido como Mestre.

A rivalidade entre os chefões não era novidade para os moradores que, durante algumas semanas, ouviram rumores de um golpe de Estado dado por Rogério – que até então era o homem de confiança do Nem, desde que fora preso na ocupação militar da Rocinha.

A disputa territorial pela principal fonte de renda da facção Amigos dos Amigos (A.D.A) não demoraria a culminar numa guerra, com o bonde do Nem fortalecido com bandidos de outras favelas do  A.D.A para reivindicar a Rocinha para o “Mestre”. Continue lendo

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O muro caiu e a USP ficará mais preta

Por Fábio Nogueira

A USP ficará mais preta

A USP ficará mais preta / Fonte: internet

Foi mais de uma década de encontros e desencontros, batendo na sala da Reitoria. Uns reitores com frieza fazendo ouvido de mercador, outros com cinismo do tipo tanto faz, tanto fez e outros solidário. As portas da maior e mais importante universidade pública da América do Sul vão se abrir finalmente aos quem também têm direito a ela. A USP fará o primeiro vestibular da sua história com a política de cota racial e escolas públicas, ambas Ações Afirmativas.

A USP relutou a adotar essa política de inclusão. Não eram mais aceitáveis as tais desculpas de que a instituição não estava preparada para receber esta nova demanda de alunos negros, indígenas e pobres em geral. Os resultados positivos de outras universidades mostraram que não havia mais desculpas para a Universidade de São Paulo. Até os professores fizeram um abaixo assinado em defesa desta iniciativa. Continue lendo

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Via Sacra da Rocinha: 25 anos de luta pela cultura da favela

A arte da vida protagonizada na Favela / Foto: Leandro Lima

Na próxima sexta-feira (14/04) a favela da Rocinha sediará a edição comemorativa dos 25 anos da Via Sacra da Rocinha, que acontecerá no Largo do boiadeiro – com horário previsto para começar às 20 horas.

A encenação desse ano abordará questões relacionadas as múltiplas faces do preconceito, reafirmando o diferencial da via sacra organizada pela Cia de Teatro Roça Caçacultura ao longo desses anos, de contextualizar a paixão e morte de Jesus Cristo com temas relevantes da nossa sociedade.

A peça, inspirada no livro “O homem de Nazaré – a Via Sacra de hoje” de José Maria Rodrigues, é um espetáculo realizado na comunidade desde 1992 pelos próprios moradores, que integram elenco, direção (artística e executiva) e produção.

A novidade dessa edição é a estreia de Robson Melo como diretor artístico. Ele que já participou do evento como ator e na equipe de produção, agora assume a responsabilidade de substituir uma direção que esteve a frente da Via Sacra desde a sua primeira apresentação.

A Via Sacra é o principal projeto artístico e cultural da comunidade. É um legado cultural criado pelo favelado que é reconhecido além das fronteiras da Rocinha como Patrimônio Cultural da Cidade. Retornar a via sacra, agora na direção, é entender a importância que isso tem na vida das pessoas que já passaram por esse projeto. Eu volto, não pelo status de direção. Eu volto pra que a chama que foi acesa em 1992 nunca apague. É por essa chama que a renovação da via sacra acontece. (Robson Melo)

O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro em 2015, evidencia a importância da Via Sacra da Rocinha como um dos maiores espetáculos de teatro de rua do Brasil.

SERVIÇO

Evento: 25ª edição da Via Sacra da Rocinha
Data:  14 de abril de 2017, às 20 horas
Local: Largo do Boiadeiro, Rocinha – RJ
Realização: Cia de Teatro Roça Caçacultura
Apoio: Fundação Cesgranrio e Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro
Parceria: TV Tagarela da Rocinha, Centro Cultural Rocinha de Paz, Biblioteca Parque da Rocinha – C4

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“Cada vez mais a educação é considerada não como um direito social, mas como um negócio”, alerta Gaudêncio Frigotto

Entrevista realizada por Eduardo Sá para o Fazendo Médiacom o educador e filósofo Gaudêncio Frigotto, refletindo alguns pontos da reforma do ensino médio proposta pelo movimento Escola Sem Partido.

Gaudêncio Frigotto / foto: Eduardo Sá

Com a reforma do ensino médio estamos resgatando retrocessos que remetem ao que há de pior na história da educação brasileira, e a juventude está ocupando as escolas porque essa geração não vê um futuro seguro para sua vida. Esses são alguns dos principais elementos que o educador e filósofo Gaudêncio Frigotto, professor do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atribui ao atual cenário de crise na educação brasileira. O pensador, discípulo de Paulo Freire, tem visitado algumas ocupações e conversado com os alunos para entender melhor esse processo, além de acompanhar atentamente as mudanças realizadas pelo governo de Michel Temer.

Na entrevista ao Fazendo Media, ele faz um retrospecto dos acertos e erros dos últimos governos na educação brasileira. Frigotto destaca ainda o surgimento de movimentos junto ao empresariado, como o Escola Sem Partido, que se tornaram hegemônicos nas decisões do ensino nacional. Para ele, a educação vista como um negócio e não um direito é o que mais prejudica as próximas gerações.

Parceiro de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o professor defende a aproximação com os jovens para um diálogo em busca de um bem maior: uma educação pública de qualidade para todos. Embora o cenário no médio prazo seja auspicioso, segundo ele, existem sinais de um acúmulo de lutas e consciência que nos trazem esperanças com essa juventude e outros movimentos para o futuro. Continue lendo

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Horto Urgente: moradores resistem a mais uma tentativa de remoção

As famílias do Horto, no Rio de Janeiro, estão mais uma vez ameaçadas. Cerca de 300 policiais militares chegaram hoje por volta de 7h na comunidade para a remoção.

Os moradores se organizaram para impedir a ação. Nesse momento, moradores e apoiadores estão em frente à casa, enquanto advogados buscam a defesa dos moradores ameaçados, que não tem para onde ir.

O Horto é uma comunidade centenária, situada ao lado do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e ligado à sua história. Os primeiros moradores trabalhavam lá, e muitos receberam terras para moradia de administrações anteriores. As ameaças de remoção vem de interesses poderosos, das áreas ricas que cresceram no entorno, da Rede Globo, que ocupa também áreas de forma irregular, e da administração do parque.

O Jardim Botânico move centenas de ações individuais contra famílias, e muitas já foram julgadas, contra o direito à moradia da comunidade. A justificativa é o interesse ambiental, e a defesa de um perímetro do Jardim Botânico, que nunca foi oficializado e recentemente avança sobre as áreas de moradia.

Os moradores apresentaram em 2008 um projeto de regularização fundiária, desenvolvido pela FAU UFRJ, em pareceria com a Secretaria do Patrimônio da União – SPU. Os moradores lutam pelo reconhecimento da ocupação como um todo e do seu histórico (contra o tratamento judicial individual), e pela regularização fundiária a que tem direito.

No momento, um oficial de justiça tenta cumprir à força mais um mandado de despejo, sem que seja dada alternativa à família. Os moradores resistem coletivamente.

Acompanhe pelo facebook: https://www.facebook.com/Comiss%C3%A3o-de-Moradores-do-Horto-814343481960780/?fref=ts&pnref=story

Ajude a divulgar!

* Texto republicado com a finalidade de ajudar na divulgação dessa injustiça.

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Programação da Mostra de Filmes Imagens e Complexos

Confira a programação da Mostra de Filmes Imagens e Complexos, que levará para o Cine Teatro Eduardo Coutinho (Cine Manguinhos) 30 produções de moradores e coletivos de favela do Rio de Janeiro para serem exibidas de 29 de setembro a 02 de outubro de 2016. Além das exibições, também serão realizados debates sobre audiovisual e favela, envolvendo produtores, pesquisadores e o público presente – num evento totalmente gratuito.

* O Cine Manguinhos fica situado à Avenida Dom Helder Câmara N° 1184 – Benfica/RJ (próximo a UPA de Manguinhos). Continue lendo

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Cine Manguinhos recebe mostra de filmes que exibirá produções realizadas por moradores de favela

Coordenadoras da Mostra, Ludmila Oliveira e Fabiana Melo Sousa / Foto: Robson Melo

A Mostra de Filmes Imagens e Complexos surge da necessidade de expandir o espaço de exibição e de reflexão das produções audiovisuais realizadas por moradores de favelas a partir de 30 obras que serão exibidas de 29 de setembro a 02 de outubro no Cine Teatro Eduardo Coutinho (Cine Manguinhos) – situado à Avenida Dom Helder Câmara N° 1184, Benfica/RJ (próximo a UPA de Manguinhos).

Privilegiando as produções faveladas realizadas no Rio de Janeiro, o Coletivo Imagens e Complexos colocará na pauta de discussão os diferentes temas abordados nos filmes, refletindo o cotidiano da periferia para além da questão da violência e a sua relação com a cidade como um todo – evidenciando a perspectiva do favelado sobre as diversas temáticas que a imaginação humana consiga alcançar. Continue lendo

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